Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação Anitta trouxe a São Paulo, na noite deste sábado (8), no Parque Villa-Lobos, a turnê que apresenta ao vivo os álbuns “Equilibrivm” e “Equilibrivm II”, lançados por ela entre abril e julho deste ano. A expectativa do público era gigante para espiar ao vivo o que a artista que despontou no Brasil convocando as “poderosas” a descerem e rebolarem — e depois caiu nas graças do mundo com o reggaeton em espanhol “Envolver” — tinha preparado para a nova fase “good vibes”. Com direção criativa de Nídia Aranha, a curta excursão “Equilibrivm Tour” estreou há uma semana, em Porto Alegre. Da capital paulista, seguirá agora para Fortaleza (CE), depois Niterói (RJ) e ancora, pelo menos por enquanto, em Salvador (BA). Tudo ainda neste mês de agosto. Logo na abertura do show, com duração de cerca de 1h50, a cantora carioca de 33 anos apresentou as faixas “Ouro” e “Ternura”. Com os pés descalços e repetindo mantras (“Tô buscando algo que vale mais que ouro”), ela deixou claro que essa turnê seria mesmo completamente diferente dos seus “Ensaios”. Será? ‘Equilibrivm’: veja as principais referências religiosas do novo álbum de Anitta Leia também Anitta reage à polêmica sobre fãs vestidos de orixás em shows: ‘Se não estiver desrespeitando ninguém, tudo bem’ Sambando miudinho O ponto alto desse primeiro ato (o show é dividido em três, separados por trocas de roupas) é a ótima versão de “É d’Oxum”. Famoso na voz do baiano Gerônimo Santana, Anitta já havia interpretado o ijexá em outras oportunidades ao longo da carreira. Agora ele faz mais sentido para o seu repertório do que nunca. O show vai seguindo assim, calminho, cantado mansamente, embalado por “Deus mãe”, “Sem pressa” e “Bemba”, até emendar “Caminhador” com um cover de “Andar com fé”, de Gilberto Gil (1982). Do chão, o público tenta acompanhar esse novo “pique” mais sereno da cantora. Estranha algumas vezes. Vai requebrando devagarinho, sambando miudinho, ainda sem se soltar muito. Meiuca romântica não emociona Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação As coisas até começam a esquentar na sequência. Vestida inteira de vermelho, Anitta eleva a temperatura — literalmente, com vários e vários efeitos de fogos — entoando um mashup poderoso de “Desgraça”, “Mandinga” e “Feitiço”. Mas, em seguida, volta a perder a força, entregando o trecho mais morno do show, com as músicas "Pinterest" e "So Much Love". Curiosamente, a dupla de álbuns, que reúne mais de 20 feats, não teve nenhuma participação especial nos shows da turnê até aqui. Não que Anitta precise também. O ápice Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação É no terceiro ato, contudo e felizmente, que a experiência no palco encontra seu sentido completo: a promessa de uma nova Anitta encontra a Anitta que o público já conhece. Tudo se encaixa. É, de longe, o melhor momento do show, com as percussões marcadíssimas e potentes de músicas que parecem ter nascido para serem tocadas ao vivo, como “Você já sabe”, “Choka choka” e “Oke”. Aqui, Anitta retoma a persona que melhor lhe cabe, de diva pop, com coreografias bem intensas, como no seu número solo em "Sal Grosso", em que dança brevemente ao lado de um dançarino representando o orixá da cura, Omolu. Ou quando, ainda no refrão da mesma música, se apoia em duas dançarinas para rebolar — assim como nos velhos tempos —, de bunda de fora e de costas para o público. Tudo alinhado Divididas e pensadas para crescer gradualmente — da meditação à festa, do sagrado ao profano — as cerca de 30 faixas da setlist, no fim das contas e com o perdão do péssimo trocadilho, se equilibram muitíssimo bem. Entre homenagens a grandes nomes da música brasileira (Gil, Bethânia, Alceu Valença), saudações aos orixás Ogum e Nanã, faixas-meditações incentivando o público a olhar com mais calma para dentro de si e seus bons e afiados funkões, Anitta vai tateando e encontrando junto com o público a sua versão mais madura enquanto artista até aqui. Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação Se enganou quem achou que, para isso, ela precisaria abandonar completamente as eras antigas. Nos momentinhos finais da apresentação, avisa: “Esse projeto é especial porque é onde eu me senti à vontade para ser Larissa com vocês. Mas não achem que me envergonho de nada do que fiz na minha carreira até aqui”. Para provar, manda os fãs abrirem uma grande roda para “presenteá-los” com “Lose Ya Breath”. Depois, faz do show que foi pensado para ser mais “intimista” um verdadeiro Carnaval fora de época com “Lugar Perfeito”, que contém os versos: “Cheio de fé e positividade, avisa lá que hoje eu vou ter que chegar mais tarde”. Todas as eras estão ali. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1
Anitta entoa mantra, saúda Ogum e rebola de costas no show da turnê ‘Equilibrivm’ em SP
Escrito em 09/08/2026
Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação Anitta trouxe a São Paulo, na noite deste sábado (8), no Parque Villa-Lobos, a turnê que apresenta ao vivo os álbuns “Equilibrivm” e “Equilibrivm II”, lançados por ela entre abril e julho deste ano. A expectativa do público era gigante para espiar ao vivo o que a artista que despontou no Brasil convocando as “poderosas” a descerem e rebolarem — e depois caiu nas graças do mundo com o reggaeton em espanhol “Envolver” — tinha preparado para a nova fase “good vibes”. Com direção criativa de Nídia Aranha, a curta excursão “Equilibrivm Tour” estreou há uma semana, em Porto Alegre. Da capital paulista, seguirá agora para Fortaleza (CE), depois Niterói (RJ) e ancora, pelo menos por enquanto, em Salvador (BA). Tudo ainda neste mês de agosto. Logo na abertura do show, com duração de cerca de 1h50, a cantora carioca de 33 anos apresentou as faixas “Ouro” e “Ternura”. Com os pés descalços e repetindo mantras (“Tô buscando algo que vale mais que ouro”), ela deixou claro que essa turnê seria mesmo completamente diferente dos seus “Ensaios”. Será? ‘Equilibrivm’: veja as principais referências religiosas do novo álbum de Anitta Leia também Anitta reage à polêmica sobre fãs vestidos de orixás em shows: ‘Se não estiver desrespeitando ninguém, tudo bem’ Sambando miudinho O ponto alto desse primeiro ato (o show é dividido em três, separados por trocas de roupas) é a ótima versão de “É d’Oxum”. Famoso na voz do baiano Gerônimo Santana, Anitta já havia interpretado o ijexá em outras oportunidades ao longo da carreira. Agora ele faz mais sentido para o seu repertório do que nunca. O show vai seguindo assim, calminho, cantado mansamente, embalado por “Deus mãe”, “Sem pressa” e “Bemba”, até emendar “Caminhador” com um cover de “Andar com fé”, de Gilberto Gil (1982). Do chão, o público tenta acompanhar esse novo “pique” mais sereno da cantora. Estranha algumas vezes. Vai requebrando devagarinho, sambando miudinho, ainda sem se soltar muito. Meiuca romântica não emociona Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação As coisas até começam a esquentar na sequência. Vestida inteira de vermelho, Anitta eleva a temperatura — literalmente, com vários e vários efeitos de fogos — entoando um mashup poderoso de “Desgraça”, “Mandinga” e “Feitiço”. Mas, em seguida, volta a perder a força, entregando o trecho mais morno do show, com as músicas "Pinterest" e "So Much Love". Curiosamente, a dupla de álbuns, que reúne mais de 20 feats, não teve nenhuma participação especial nos shows da turnê até aqui. Não que Anitta precise também. O ápice Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação É no terceiro ato, contudo e felizmente, que a experiência no palco encontra seu sentido completo: a promessa de uma nova Anitta encontra a Anitta que o público já conhece. Tudo se encaixa. É, de longe, o melhor momento do show, com as percussões marcadíssimas e potentes de músicas que parecem ter nascido para serem tocadas ao vivo, como “Você já sabe”, “Choka choka” e “Oke”. Aqui, Anitta retoma a persona que melhor lhe cabe, de diva pop, com coreografias bem intensas, como no seu número solo em "Sal Grosso", em que dança brevemente ao lado de um dançarino representando o orixá da cura, Omolu. Ou quando, ainda no refrão da mesma música, se apoia em duas dançarinas para rebolar — assim como nos velhos tempos —, de bunda de fora e de costas para o público. Tudo alinhado Divididas e pensadas para crescer gradualmente — da meditação à festa, do sagrado ao profano — as cerca de 30 faixas da setlist, no fim das contas e com o perdão do péssimo trocadilho, se equilibram muitíssimo bem. Entre homenagens a grandes nomes da música brasileira (Gil, Bethânia, Alceu Valença), saudações aos orixás Ogum e Nanã, faixas-meditações incentivando o público a olhar com mais calma para dentro de si e seus bons e afiados funkões, Anitta vai tateando e encontrando junto com o público a sua versão mais madura enquanto artista até aqui. Anitta durante show da 'Equilibrvm Tour' em SP Fred Othero/Divulgação Se enganou quem achou que, para isso, ela precisaria abandonar completamente as eras antigas. Nos momentinhos finais da apresentação, avisa: “Esse projeto é especial porque é onde eu me senti à vontade para ser Larissa com vocês. Mas não achem que me envergonho de nada do que fiz na minha carreira até aqui”. Para provar, manda os fãs abrirem uma grande roda para “presenteá-los” com “Lose Ya Breath”. Depois, faz do show que foi pensado para ser mais “intimista” um verdadeiro Carnaval fora de época com “Lugar Perfeito”, que contém os versos: “Cheio de fé e positividade, avisa lá que hoje eu vou ter que chegar mais tarde”. Todas as eras estão ali. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1

