Letícia Novaes, cantora e compositora carioca conhecida como Letrux, lança o quarto álbum da discografia solo iniciada em 2017 Bruna Latini / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Sad Sexy Silly Songs Artista: Letrux Cotação: ★ ★ ♬ “Tô aqui pela letra”, enfatiza Letrux em verso sussurrado de “Sad, sexy, silly”, canção composta em parceria com Jadsa. Ao abrir o quarto álbum solo da artista, a canção “Sad, sexy, silly” apresenta de cara a tríade – melancolia, sensualidade e leveza – em que se baseia o repertório do disco lançado em 27 de março pelo selo Coala Records. Realmente, as letras sempre se impuseram como o ponto mais forte do cancioneiro de Letícia Novaes, ainda que densas camadas sonoras tenham envolvido o repertório do título mais cultuado da discografia solo da artista, “Letrux em noite de climão” (2017), ao qual se seguiram “Letrux aos prantos” (2020) e “Letrux como mulher girafa” (2023). Curiosamente, a cantora e compositora descontrói essas camadas ao longo das 12 faixas do álbum “Sad Sexy Silly Songs”, concebido como um trabalho de sonoridade minimalista, calcado no violão e gravado com produção musical do baixista Thiago Rabello. Nem tudo é somente voz e violão como na balada “Ornamentais” (Letícia Novaes, Luiz Felipe Reis e Thiago Vivas), cantada por Letrux somente com o toque do violão do parceiro Thiago Vivas. Há as texturas eletrônicas dos sintetizadores e programações do produtor Thiago Rabello na escrita pop de “Caligrafia tarada” (Letícia Novaes e Bruno Capinan). O problema do disco não reside no formato das faixas, até porque, em tese, o cancioneiro de uma artista que pega o ouvinte pela palavra se enquadraria bem em moldura mais crua. A questão é que o repertório bilíngue do álbum “Sad Sexy Silly Songs” é o menos inspirado e potente da discografia solo da artista. Músicas como “Ciúme me dá frio” (Letícia Novaes) soam como sobras do repertório, e não somente porque a artista revelou que a música foi composta em 2005. Falta uma grande música que legitime um álbum já originalmente fragmentado e que às vezes muda de cor de acordo com o parceiro da artista na faixa. Há, por exemplo, em “Essa cidade é complicada” algo do frescor pop de Mahmundi, coprodutora da faixa e parceira de Letícia Novaes na composição. Com boa vontade, pode-se identificar ecos de Laurie Anderson e PJ Harvey no som do álbum, cujo título evoca canção lançada há 50 anos por Paul McCartney com o grupo The Wings, “Silly love songs” (1976), parceria de Paul com Linda McCartney (1941 – 1998). Sim, porque canções de amor às vezes são bobas, ridículas. Do contrário, não seriam canções de amor. Entre o toque climático da guitarra que ambienta “It’s like Kurt Cobain songs” (Letícia Novaes e Thiago Borges) e a arquitetura folk da canção “Nessa data querida” (Letícia Novaes e Theo Machado), o álbum “Sad Sexy Silly Songs” transcorre sem a pulsão dos discos anteriores de Letrux, artista seguida por séquito fiel. Até para quem não é da tribo da artista, músicas como “Over my dead body” (Letícia Novaes e Arthur Braganti) soam como estilhaços de um álbum que possivelmente alcance outra dimensão no palco, no recentemente estreado show em que a cantora, indo além do repertório do disco, dá voz a “Pra dizer adeus” (Edu Lobo e Torquato Neto, 1966), música nada bobinha que lembra que o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Entre a leveza, o desejo e a melancolia, Letrux se fragmenta e fica no meio do caminho com o repertório desbotado do álbum “Sad Sexy Silly Songs”. Capa do álbum 'Sad Sexy Silly Songs', de Letrux Reprodução
Letrux se fragmenta entre as canções do quarto álbum, 'Sad Sexy Silly Songs'
Escrito em 07/04/2026
Letícia Novaes, cantora e compositora carioca conhecida como Letrux, lança o quarto álbum da discografia solo iniciada em 2017 Bruna Latini / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Sad Sexy Silly Songs Artista: Letrux Cotação: ★ ★ ♬ “Tô aqui pela letra”, enfatiza Letrux em verso sussurrado de “Sad, sexy, silly”, canção composta em parceria com Jadsa. Ao abrir o quarto álbum solo da artista, a canção “Sad, sexy, silly” apresenta de cara a tríade – melancolia, sensualidade e leveza – em que se baseia o repertório do disco lançado em 27 de março pelo selo Coala Records. Realmente, as letras sempre se impuseram como o ponto mais forte do cancioneiro de Letícia Novaes, ainda que densas camadas sonoras tenham envolvido o repertório do título mais cultuado da discografia solo da artista, “Letrux em noite de climão” (2017), ao qual se seguiram “Letrux aos prantos” (2020) e “Letrux como mulher girafa” (2023). Curiosamente, a cantora e compositora descontrói essas camadas ao longo das 12 faixas do álbum “Sad Sexy Silly Songs”, concebido como um trabalho de sonoridade minimalista, calcado no violão e gravado com produção musical do baixista Thiago Rabello. Nem tudo é somente voz e violão como na balada “Ornamentais” (Letícia Novaes, Luiz Felipe Reis e Thiago Vivas), cantada por Letrux somente com o toque do violão do parceiro Thiago Vivas. Há as texturas eletrônicas dos sintetizadores e programações do produtor Thiago Rabello na escrita pop de “Caligrafia tarada” (Letícia Novaes e Bruno Capinan). O problema do disco não reside no formato das faixas, até porque, em tese, o cancioneiro de uma artista que pega o ouvinte pela palavra se enquadraria bem em moldura mais crua. A questão é que o repertório bilíngue do álbum “Sad Sexy Silly Songs” é o menos inspirado e potente da discografia solo da artista. Músicas como “Ciúme me dá frio” (Letícia Novaes) soam como sobras do repertório, e não somente porque a artista revelou que a música foi composta em 2005. Falta uma grande música que legitime um álbum já originalmente fragmentado e que às vezes muda de cor de acordo com o parceiro da artista na faixa. Há, por exemplo, em “Essa cidade é complicada” algo do frescor pop de Mahmundi, coprodutora da faixa e parceira de Letícia Novaes na composição. Com boa vontade, pode-se identificar ecos de Laurie Anderson e PJ Harvey no som do álbum, cujo título evoca canção lançada há 50 anos por Paul McCartney com o grupo The Wings, “Silly love songs” (1976), parceria de Paul com Linda McCartney (1941 – 1998). Sim, porque canções de amor às vezes são bobas, ridículas. Do contrário, não seriam canções de amor. Entre o toque climático da guitarra que ambienta “It’s like Kurt Cobain songs” (Letícia Novaes e Thiago Borges) e a arquitetura folk da canção “Nessa data querida” (Letícia Novaes e Theo Machado), o álbum “Sad Sexy Silly Songs” transcorre sem a pulsão dos discos anteriores de Letrux, artista seguida por séquito fiel. Até para quem não é da tribo da artista, músicas como “Over my dead body” (Letícia Novaes e Arthur Braganti) soam como estilhaços de um álbum que possivelmente alcance outra dimensão no palco, no recentemente estreado show em que a cantora, indo além do repertório do disco, dá voz a “Pra dizer adeus” (Edu Lobo e Torquato Neto, 1966), música nada bobinha que lembra que o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Entre a leveza, o desejo e a melancolia, Letrux se fragmenta e fica no meio do caminho com o repertório desbotado do álbum “Sad Sexy Silly Songs”. Capa do álbum 'Sad Sexy Silly Songs', de Letrux Reprodução

