Adriana Calcanhotto debate a poesia na criação da canção em encontro no Rio

Escrito em 14/07/2026


Adriana Calcanhotto é a convidada da edição deste mês de julho do Clube de Leitura CCBB Reprodução / Facebook Adriana Calcanhotto ♫ NOTÍCIA ♬ “... Porque meu coração dispara / Quando tem o seu cheiro / Dentro de um livro / Na cinza das horas”. Nem todos os seguidores de Adriana Calcanhotto identificam nesses versos da canção “Vambora” – um dos maiores sucessos da artista – a alusão ao título do primeiro livro de poesias de Manuel Bandeira (1886 – 1968), “A cinza das horas”, publicado em 1917. Já “Motivos reais banais”, música apresentada no show “Olhos de onda” (2014), foi composta por Calcanhotto a partir de fragmentos de um poema de Waly Salomão (1943 – 2003), de quem a artista também é parceira em músicas como “A fábrica do poema” (1994) e “Programa” (2002), esta feita também com a adesão de outro poeta, Antonio Cicero (1945 – 2024), com quem Calcanhotto compôs “Inverno” (1994). Enfim, Adriana Calcanhoto construiu cancioneiro repleto de referências à poesia e à literatura, umas mais explícitas, outras mais sutis – caso da alusão aos “olhos de ressaca” de Capitu, personagem do livro “Dom Casmurro” (Machado de Assis, 1899), no título da canção “Olhos de onda” (2014). Por isso mesmo, Adriana Calcanhotto está plenamente qualificada para participar da edição de julho do Clube de leitura CCBB 2026 no encontro intitulado “A poesia e a cena” e programado para as 17h30 de amanhã, 15 de julho, no CCBB do Rio de Janeiro. Em conversa mediada pelos poetas Suzana Vargas (curadora do evento) e Ramon Nunes Mello, Calcanhotto vai debater a influência da bagagem literária na criação musical. “Vai ser uma conversa sobre os livros que me formaram, os que li mais de uma vez, os que me acompanham como leitora e como autora e como isso aparece no ‘Saga lusa', quando vi o quanto a literatura salva”, conta Adriana, referindo-se ao livro de 2008 que marcou a estreia da artista na literatura e no qual narra os imprevistos de turnê portuguesa atravessada por surto psicótico da cantora. Cabe lembrar que, além de referenciar a poesia nas canções e ter se tornado escritora, Adriana Calcanhotto também tem contribuído nos últimos anos para propagar a poesia no ofício de curadora e organizadora de textos poéticos, como os reunidos pela artista na “Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira” (2016), livro publicado há dez anos. Adriana Calcanhotto é parceira de poetas como Antonio Cicero (1945 – 2024) e Waly Salomão (1943 – 2003) Reprodução / Facebook Adriana Calcanhotto
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