Tarifaço: Durigan diz que Brasil vai preservar soberania financeira e geológica 'sem viralatice' e que país segue aberto a negociações

Escrito em 16/07/2026


EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil vai preservar a soberania financeira e geológica "sem viralatice" e que o governo seguirá aberto à diplomacia e a negociações. "A gente vai seguir protegendo o Pix, como disse o presidente [do Banco Central] Gabriel Galípolo, o maior símbolo da nossa soberania financeira. Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem viralatice e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", disse Durigan. A declaração acontece um dia após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. Dario Durigan, ministro da Fazenda Júlio César Silva/MDIC O ministro da Fazenda afirmou ainda que com as novas tarifas, alguns setores podem ser afetados, mas a medida do governo Trump não afetará "a economia do país como um todo". "Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o governo americano, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". 🔎A decisão dos Estados Unidos é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Entenda cronologia O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.
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