Chefe da UE diz que Europa lida com mundo 'abertamente hostil' e convida Canadá para ser 1º 'membro associado' do bloco

Escrito em 16/09/2026


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026 REUTERS/Yves Herman A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (16) que a Europa lida atualmente com um mundo "abertamente hostil" e precisa repensar suas alianças, por isso ela convidou o Canadá para se tornar o 1º "membro associado" do bloco. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em discurso anual do Estado da União no Parlamento europeu, Ursula disse que o bloco de 27 países enfrenta uma guerra em suas fronteiras, cada vez mais ataques híbridos em solo europeu, e forte concorrência dos Estados Unidos de Donald Trump e da China no comércio e em outras áreas estratégicas. "Parcerias são uma escolha estratégica, mas também respondem à fragmentação do sistema internacional baseado em regras. Precisamos urgentemente repensar nossas parcerias e construir coalizões para a resiliência e a democracia, e é por isso que convidei o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Vemos o mundo com os mesmos olhos", afirmou a presidente da Comissão Europeia. Agora no g1 A relação da UE com o Canadá será elevada "ao maior nível possível", segundo Ursula, para ajudar a Europa a manter a independência em diversos âmbitos. Essa nova aliança buscará criar "um espaço de prosperidade comum e segurança econômica para manufatura, tecnologia, energia, IA, defesa e a questão do Ártico", afirmou. Sem citar outros países, como por exemplo os EUA, Ursula reforçou que a nova parceria estratégica contra o Canadá não é contra ninguém, mas para o próprio bem do bloco europeu. Durante seu discurso, Ursula von der Leyuen disse também que "as ameaças estão se multiplicando em solo europeu e se tornando cada vez menos híbridas", em referência à Rússia, o que leva a UE a precisar de um novo plano de emergência. A presidente da Comissão Europeia também afirmou que o bloco precisa de novos planos para combater os efeitos do calor extremo e para lidar com eventos de migração em massa. Trabalhar com o Canadá Von der Leyen, agora em seu segundo mandato de cinco anos à frente do braço executivo da UE, também deveria enfatizar a necessidade de manter a independência europeia em vários setores, incluindo energia, matérias-primas e tecnologias limpas. Para alcançar isso, os países da UE não precisarão apenas trabalhar juntos, mas também contar com parceiros fortes, como o Canadá, cujo primeiro-ministro, Mark Carney, estava em Estrasburgo e foi calorosamente aplaudido pelos parlamentares europeus ao chegar para ouvir o discurso de von der Leyen. "Queremos elevar a relação com o Canadá ao nível mais alto possível", disse von der Leyen. "Por isso, gostaria de trabalhar com vocês para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE." Von der Leyen se aproximou e abraçou Carney após mencionar a questão da "associação" do Canadá, e Carney recebeu uma ovação de pé do plenário. Ameaças híbridas A chefe da UE afirmou que "as ameaças híbridas estão se multiplicando em solo europeu, e se tornando cada vez menos híbridas". Ela voltou a acusar a Rússia pelo incidente em que um drone carregado com explosivos no aeroporto de Leipzig, e acrescentou ter sido um incidente em que agentes russos utilizaram material de nível militar em solo europeu. Plano contra migrações em massa Ursula afirmou que o bloco precisa ter um novo plano de ação para eventos de migração em massa, tal como ocorreu em Ceuta em agosto. Ela prometeu reforçar o Frontex, o serviço de fronteiras conjunto da União Europeia, e aumentar o foco no retorno dos imigrantes a seus países de origem. Crítica a Israel Em seu discurso, von der Leyen também criticou Israel por manter seu expansionismo na Cisjordânia e afirmou que "é papel da Europa manter viva a chama da solução de dois Estados". "A decisão do governo israelense de avançar com o projeto de assentamento ilegal E1 é inaceitável", afirmou.
.