Carroceiro vira pintor e ganha exposição em BH após mudar de vida ao achar tela em branco

Escrito em 30/05/2026

Tela em branco muda vida de carroceiro Uma tela em branco encontrada no meio dos materiais recolhidos na rua mudou a vida de Joaquim Dimas Fidelis, o Quim. Ex-carroceiro e servente de pedreiro, ele descobriu um talento que nem imaginava ter. Hoje, chama a atenção de estudiosos e apreciadores de arte ao pintar paisagens, flores e cenas do cotidiano. O trabalho ganhou uma exposição no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte (veja detalhes mais abaixo). É em casa, na simplicidade da própria rotina, que Quim cria os quadros, cheios de sentimento. Sem marcar a tela antes com um rascunho, ele escolhe as cores e começa a pintar a partir do que vem à mente. Nos quadros, o artista pinta o que vive, o que sente e o que guarda na memória: flores, paisagens e cenas simples do cotidiano. Cada obra carrega um pedaço da história dele. “A inspiração é na hora que eu pego a tela para pintar. Aí que eu começo a pintar, [e] o que vem na mente eu coloco. Não imagino o que que eu vou pintar nem nada, não”, conta o artista. Segundo ele, a pintura também virou um lugar de paz. “Tranquilo, mas tranquilo mesmo. A pintura é uma coisa muito... É bom de fazer. E quando a gente começa a pintar, a gente esquece de tudo, sabe.” Conheça a história de Quim a partir dos seguintes pontos: Sem curso ou escola de pintura Trabalho como artista reconhecido Sucesso de público e de vendas Vida transformada pela pintura Visitação Sem curso ou escola de pintura A arte não esteve presente desde o começo da vida de Quim. Antes de se dedicar às pinturas, ele viveu na roça, trabalhou como servente de pedreiro e também como carroceiro. Ele nunca fez cursos nem frequentou escola de pintura. Foi justamente de forma inesperada que tudo começou: a primeira obra surgiu da curiosidade, quando ele encontrou uma tela em branco no meio do material que recolhia. Nas mãos do então carroceiro, a tela ganhou cor e virou o ponto de partida de uma nova história. Trabalho como artista reconhecido As cores e as formas criadas por Quim chamaram a atenção de quem acompanha e estuda arte. Rildo Rodrigues Faria, estudioso de Arte Popular Brasileira, foi um dos primeiros a perceber a força do trabalho dele e o incentivou a continuar. “A expressão do Quim é única. São formas únicas, expressões únicas. E ele, como ninguém, sabe combinar cores, visto que foi pintor de parede. Outro fator interessante no caso do Quim é que ele trafega em quatro estilios diferentes sem saber do que se trata”, afirma. De 2016 para cá, mais pessoas passaram a se encantar com as pinturas de Quim. O homem que por anos conduziu uma carroça pelas ruas montou uma exposição inteira com obras de própria autoria. As telas criadas na sala de casa ganharam as paredes do Palácio das Mangabeiras na exposição “Inconsciente Preciso”, aberta até 14 de junho. Sucesso de público e de vendas O empresário e colecionador de arte Alexandre de Miranda Candido entrou na história de Quim, primeiro, como colecionador. Depois, o encanto pelo trabalho do artista virou amizade, incentivo e parceria. “Eu falei assim: 'gente, a arte pode estar em qualquer lugar'. Um ex-carroceiro com essa qualidade pictórica... Ele é um tremendo colorista. Ele tem nas suas obras uma simplicidade muito elegante”, diz. Alexandre também destaca que o objetivo da exposição era dar visibilidade ao artista e permitir que o trabalho se sustentasse. Segundo ele, a mostra foi feita com recursos próprios e terminou com todas as 81 obras vendidas já no primeiro dia. Hoje, existe fila de espera de pessoas que querem ter uma obra de Quim em casa. “Foi uma exposição de tremendo sucesso. Foi uma exposição em que 100% das obras foram vendidas.” Vida transformada pela pintura A arte também mudou a vida do artista fora das telas. Com o dinheiro das vendas, Quim conseguiu construir uma sala nova, mais confortável, para continuar pintando. O espaço onde antes ficava a carroça hoje abriga um carro. Ao ver a própria obra exposta, ele se emocionou. “No dia da exposição mesmo, eu nem acreditei. Na hora que eu cheguei lá, os olhos encheram de água. Eu nunca imaginei o que aconteceu. Ver meus quadros, assim tudo nas paredes... Aí depois o Alexandre falou que vendeu os quadros tudo. Foi a maior alegria da minha vida.” Visitação A exposição segue até o dia 14 de junho, no Palácio das Mangabeiras. Os ingressos podem ser retirados pelo Sympla. Durante a semana, a entrada é gratuita. No fim de semana, o valor é de R$ 10. Vídeos mais vistos do g1 Minas
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